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Trânsito livre para quem pede carona

Enquanto o seu carro queima combustível no trânsito, você fatalmente contribui para que 32,5 milhões de toneladas de CO2 sejam atiradas na nossa atmosfera. Sim, no mesmo ar que você, sua família e o Presidente da República respiram. E, pasme, 40% desse volume vem dos carros. Há muito tempo o trânsito deixou de ser um problema apenas dos orgãos públicos. É necessário o engajamento de todas as pessoas, físicas e principalmente jurídicas, para reverter esse quadro.

Se você trabalha na capital e é corajaso o bastante para sair com o seu carro entre seis da tarde e oito da noite, faça um teste: olhe ao redor e veja quantas pessoas estão como você, paradas num trânsito infernal, completamente sozinhas. Basta uma espiada para conferir os dados que a Cetesb divulgou na campanha Carona Legal. São mais de seis milhões de automóveis registrados na cidade, 8,5 milhões circulam diariamente na Grande São Paulo e 10 milhões lotam as principais ruas e avenidas no horário de pico, o que resulta em 200 quilômetros de engarrafamento e, em alguns casos, quase três horas de lentidão.

São Paulo vai parar e não é brincadeira, não. Especialistas confirmam que o colapso total acontecerá entre dois e quatro anos. Infelizmente, não é uma previsão sensacionalista.

O congestionamento atrapalha o crescimento da economia como um todo. Nas principais vias, filas de caminhões perdem tempo no trânsito. Um desperdício. Isso afeta o custo do frete e da logística, e piora a qualidade do ar. Sem contar que as pessoas poderiam fazer outras coisas com o tempo perdido.

Tenho conversado com executivos, empresários e líderes comunitários e todos são unâmines em apontar o trânsito como um dos principais causadores de estresse e baixa produtividade, entre outros fatores.

Mas o problema vai além de saúde pública. O trânsito também alimenta uma indústria informal de flanelinhas, vendedores de balinhas, malabaristas, floristas e uma infinidade de outros personagens que já fazem parte do nosso cotidiano e agravam as desigualdades sociais.

Todos os dias escutamos nos noticiários informações a respeito do Protocolo de Kyoto, do agravamento do efeito estufa, do aquecimento global, do Triple Botton Line e de questões ligadas à sustentabilidade – que, aliás, parece ser a palavra da moda, mesmo que a gente ainda não tenha clareza de seu real significado. Mas o que de fato estamos fazendo para reduzir o trânsito e a emissão de poluentes na atmosfera? Qual é o nosso papel? Somos protagonistas da solução ou seremos meros expectadores do problema? Enquanto uma alternativa definitiva não aparece, não podemos ficar perdidos nessa cortina de fumaça, cada vez mais densa. Não podemos fechar os olhos para projetos que vem sendo desenvolvidos na tentativa de minimizar o caos urbano.

Um desses projetos é o programa MelhorAr , um sistema cujo objetivo é promover a carona solidária no meio corporativo, reduzindo o trânsito e protegendo o meio ambiente. O mecanismo consiste numa base de dados de usuários conjugada com uma ferramenta de pesquisa que permitirá o encontro de pessoas, funcionários da mesma empresa, que reúnam as condições necessárias para a carona. É gratuíto para os usuários, que só poderão se registrar após a homologação da empresa onde trabalha.

Mas esse tipo de proposta só será uma realidade no Brasil se empresas e colaboradores se engajarem. É preciso ter em mente a noção de cidadania e de responsabilidade socioambiental. Para fazer parte do MelhorAr, basta apenas uma atitude positiva.

Lincoln Paiva, 40, formado em comunicação social, sócio da Believe Comunicação Viva, é idealizador do Projeto MelhorAr


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